Exercício para conter nossos maus pensamentos: o exemplo do ciúme.

ExercícioO cérebro da gente é tão vasto e misterioso quanto as galáxias e os sistemas planetários.

Melhorou muito a nossa compreensão sobre ele, é verdade. Desde as primeiras teorias sobre os neurônios, no tempo em que Freud cursava a faculdade, até as tomografias e ressonâncias de hoje, demos um salto consistente. E a neurociência vem ganhando espaço. Já não sei mais como andam as medidas científicas da nossa inteligência humana. Mas algumas coisas aparentemente muito simples sobre o funcionamento do nosso cérebro, seguem impossíveis de explicar e, mais ainda de aplicar.

Pensando no cérebro como esse órgão do nosso próprio corpo, não é estranho, por exemplo, que sejamos tão incompetentes quando se trata do simples ato de conter o pensamento? Somos mais hábeis com o xixi, usando o tal do rim, do que somos com o cérebro para interromper o ato de pensar quando é necessário.

Vou dar apenas um exemplo do quanto o pensar sem contenção pode nos atrapalhar. Imagine um casal suficientemente feliz. Em que, naturalmente, cada um mantenha um pouco da sua insegurança diante dos maravilhosos atrativos que enxerga no outro. Eles não são, portanto, do tipo ciumento, mas de vez em quando, por puro delírio de um, ou do outro, também enfrentam um surto episódico de ciúmes.

O ciúme é uma outra dessas experiências humanas difíceis de enquadrar pela ciência disponível. É uma sensação horrível do ser que, no momento agudo, quanto mais gente pensa, pior fica. Ele enlouquece as pessoas e pode ser devastador.

Suponha então, que por uma situação de trabalho de alguém daquele casal. Um informa ao outro, por mensagem, que está indo de carona com outra pessoa para algum lugar. Evento às 20H00, mas absolutamente funcional. Só que, a situação e essa “outra pessoa”, por alguma razão misteriosa, abrem as comportas da insegurança afetiva de quem recebeu a mensagem.

Seja lá pelo que for, a sujeito do outro lado passa a sentir o mal estar do ciúme e começa a pensar freneticamente uma porção de teorias que inflamam sua dor. O cérebro dispara em eficiência lógica sem fundamento. “E se… e se… e se…”

Quase todo mundo tem crises desse ciúme, que por falta de ciência, podemos chamar de “ciúme sem gravidade”: esse que não chega a danificar. Essas crises, repare, quase sempre só se resolvem com os olhos nos olhos e a pele arrepiada de novo. Não adianta ficar pirando enquanto isso não acontece.

No caso do casal, em algumas horas, ambos se encontrarão em casa e tudo tende a ficar bem para aquele que está em surto. Basta que a pessoa interrompa o seu fluxo de pensamento e pare de mandar mensagens daninhas, que seu próprio mal estar vai diminuir e ela vai melhorar. Só que a pessoa não consegue travar o próprio cérebro.

Para o caso em questão, conseguir pensar em outra coisa pode ajudar bastante. Essa mesma dinâmica se dá quando o metro não chega, quando a reunião atrasa, quando quem topou ser fiador não atende. Quando enfim a gente está esperando uma resposta de alguém qualquer e o cérebro sai pensando doidão fazendo a gente sofrer.

Mas, voltando ao argumento principal, não se trata de pensar em outra coisa, trata-se simplesmente de ser capaz de “parar de pensar” em qualquer coisa. Pois é justamente a faculdade de construir imagens que está nos detona em muitos momentos do nosso cotidiano. Como nos de ciúme e nos das outras tantas ansiedades que nos acometem.

Ou seja, assim como as galáxias e o coração, o nosso cérebro é um órgão infinito para estudar. A astronomia e fisiologia do coração já nos trouxeram muitos aportes significativos. Mas os estudos sobre o cérebro ainda não identificaram nenhum tipo rudimentar de esfíncter, desse que nos permitiria prender o xixi dos mal pensamentos. Talvez não tenha, talvez tenha, mas seja questão da espécie exercitar antes de conhecer.

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